Após o excelente Seminário sobre COMPETÊNCIAS ACADÊMICAS, sob diversos prismas, ocorreu-me relatar-lhes minha experiência, sob o prisma da MOTIVAÇÃO, haurida em meus passados trinta anos de Magistério Superior, como professor de DIREITO COMERCIAL da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
 
Eminentes professores,
 
Em toda minha trajetória profissional no campo juseconomico, sempre fui um Advogado que lecionava ou, se quiserem, um Professor que advogava, impregnado cada uma das minhas expertises profissionais, recíproca e diuturnamente, com a vivência da outra.
Em verdade, após minha experiência no magistério superior de mais de trinta anos, dei-me conta, fazendo u’a mea culpa,de que, em verdade, eu nunca ensinei nada aos meus alunos, mas sempre tentei fornecer-lhes as condições ideais, através das quais eles pudessem aprender alguma coisa, valendo-me, então, do ferramental da MOTIVAÇÃO.
 
Neste sentido, sempre procurei fazer com que meus alunos apreciassem minha matéria, mostrando-lhes que muitos assuntos, os quais seriam por nós tratados, ao longo do semestre, já seriam familiar a eles, no seu dia a dia, no trato das dificuldades práticas da vida.
 
Aos que possuíssem veículo automotor próprio, eu os indagava se o haviam adquirido utilizando-se de financiamento, com garantia de alienação fiduciária, isto porque esta última figura jurídica, como forma de garantia, fazia parte de nossa grade curricular.
Assim ocorria, também, por exemplo, com figura jurídica do cheque; um dos títulos de crédito, como popular  meio de pagamento, a ser por nós estudado.
 
Quando a matéria versasse sobre falências e concordatas, levava para o recinto de nossas aulas os autos dos respectivos processos judiciais, (falência da Panair do Brasil, por exemplo) para que os alunos fossem, desde logo, se familiarizando com o que iriam encontrar, pela frente, assim que se graduassem em direito..
Embora, muitos alunos desejassem estagiar em meu escritório de advocacia, escolhia os de maior aproveitamento, como que os premiando, modéstia à parte, pela boa performance.
Hoje, posso me gabar de ter tido com ex alunos e ex estagiários, vários advogados, alguns atuais juízes, promotores  e defensores públicos, bem como procuradores in house, mediante concurso público, de inúmeras empresas estatais brasileiras.
 
Findo o semestre, para aferição do aproveitamento de meus alunos, sem prejuízo da prova escrita, demandada pela legislação vigente, MOTIVAVA os cinquenta alunos, em média, integrantes de cada turma minha, para que se reunissem em grupos de cinco e elegessem um relator, o qual iria apresentar, oralmente, em presença dos demais alunos da classe, o tema por eles eleito; procurando, com isto, ao provocar-lhes sua desinibição, mostrar-lhes que a profissão do direito demanda do profissional competente que ele se faça entender e convencer seu interlocutor, não só pela palavra escrita, mas, muitas vezes, aliás, como soe acontecer com os criminalistas, principalmente, pela palavra falada.
 
Embora não me preocupasse com minha figura de professor, em particular, muito menos da matéria Teoria do Estado, ou então, simplesmente de Civismo, finda uma de minhas aulas, uma aluna me procurou e me disse “Mestre, o Senhor é o único professor que, quando dá suas aulas, fala bem do Brasil”. 
 
Confesso que fiquei gratificado, com  aquela assertiva, provando que o Magistério Acadêmico, remunera o professor em uma moeda, cujo valor seria despiciendo e impossível mesmo de quantificar.
Como Procurador de carreira, in house, portanto, do Banco do Brasil e titular  da Advocacia Felizardo Barroso & Associados, nunca lecionei pensando na compensação financeira oriunda do cargo de professor.
 
MOTIVOU-ME, isto sim, ter sido obrigado a estudar mais, para poder melhor ensinar; conviver com os jovens alunos para, inclusive, poder compreender melhor meus filhos adolescentes, mas, principalmente, por  estar exercendo uma profissão, a de mestre, da qual todas as demais dependem.
 
 
Dr. Luiz Felizardo Barroso
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